“Da Janela da Minha Escola... vejo um Monumento”
Assinado em Setembro de 2010, o Protocolo de Colaboração entre a Direção Regional de Cultura do Algarve (DRCAlg), a Direção Regional de Educação do Algarve (DREALg), o Governo Civil de Faro e as Autarquias do Algarve, permitiu o lançamento do concurso escolar “Da Janela da Minha Escola... vejo um Monumento”, tendo como técnicas operacionais Graça Lobo pela Educação e Clarinda Moutinho pela Cultura.
Ao considerarmos que a Educação é uma tarefa de todos, do Estado, da Escola, dos Professores, dos Pais e da comunidade civil em geral, no sentido de promover e alicerçar os princípios da cidadania de pleno direito, onde o sucesso educativo das nossas crianças e jovens seja uma efetiva realidade, consideramos que a atividade cultural na sua maior expressão é um valor insubstituível no desenvolvimento de qualquer cidadão do século XXI e que a sua prática se faz através da vivência continuada e participada, num apelo à expressão humana do saber e do ser e, ainda, que a cultura se assume como uma componente transdisciplinar da educação, do ensino e da aprendizagem.
O que pode a Cultura trazer à Educação e vice-versa?
Assinado em Setembro de 2010, o Protocolo de Colaboração entre a Direção Regional de Cultura do Algarve (DRCAlg), a Direção Regional de Educação do Algarve (DREALg), o Governo Civil de Faro e as Autarquias do Algarve, permitiu o lançamento do concurso escolar “Da Janela da Minha Escola... vejo um Monumento”, tendo como técnicas operacionais Graça Lobo pela Educação e Clarinda Moutinho pela Cultura.
Este concurso visa divulgar o património cultural algarvio junto da população escolar, sensibilizando para a necessidade de preservação e de valorização do património da região. Assim, a sua principal meta consistiu na promoção de uma Educação pelo Património, que contribuísse para uma cidadania ativa e para o reforço da identidade regional.
Ao ser desenhado este Projeto, gizou-se um percurso em torno do património edificado no Algarve que potenciou aos alunos um conhecimento efetivo do monumento vizinho à sua escola, numa ligação ao currículo escolar – conhecimento do meio envolvente, História de Portugal e desenvolvimento de capacidades de análise, crítica e expressão.
Para esse efeito, para além da consulta bibliográfica e da internet, foram fundamentais as visitas guiadas por técnicos das autarquias que fizeram viver esses espaços e criaram junto dos mais pequenos a verdadeira identidade dos monumentos. Munidos de bonés e mochilas criados para o efeito, os alunos foram investidos do papel de “investigadores” no terreno. A etapa seguinte desenvolveu-se em oficinas de quatro horas com artistas de vários domínios: Pintura (António Alonso e Fernando Pinheiro), Escultura (Jorge Pereira e Teresa Paulino), Fotografia (Vasco Célio), Literatura (Isa Mateus), Vídeo (Cláudia Nunes), Música (João Cuña) e Dança (Isadora Mateus). Em reuniões prévias entre professores das turmas e artistas foram encontradas pistas de trabalho, quer para os projetos que as escolas tinham em mente, quer para a visão dos artistas. Daí saíram sugestões que foram depois postas em prática com a presença dos artistas em sala de aula.
De realçar o contributo dos artistas que trouxeram uma mais-valia à realização dos trabalhos, aspeto que foi evidenciado pelas escolas participantes. Na verdade, esta intervenção permitiu a execução de obras que demonstram uma interpretação original sobre os monumentos estudados, muito para além de uma visão realista do património.
Todo este processo culminou na execução de trabalhos que foram apresentados na Fortaleza de Sagres no dia 3 de junho com uma cerimónia aberta ao público, cerca de 400 crianças das escolas concorrentes dos 15 municípios algarvios receberam os certificados de participação e os prémios.
A riqueza do processo e a satisfação que professores e alunos tiveram em participar evidenciaram-se nos trabalhos expostos, onde a originalidade de propostas interdisciplinares foi revelada, bem como a demonstração do conhecimento concreto sobre os monumentos. De realçar as memórias descritivas dos trabalhos, onde se percebe a validação de todo o processo e a sua implicação nas várias áreas de conhecimento, bem como a participação de pais e encarregados de educação e comunidade em geral.
Ao relacionar os alunos com o património, mas também com a arte contemporânea, estamos certos que foram abertos olhares e horizontes sobre o passado e sobre o presente, com implicações no futuro. A Cultura é um processo dinâmico no tempo e estes alunos tiveram uma oportunidade única de explorar diversas abordagens artísticas. O mesmo é dizer que este processo teve e poderá ter reflexos numa perspetiva de formação global e interdisciplinar que seja uma peça no contributo para uma cidadania ativa.
Serão estes alunos, os potenciais divulgadores do seu património, num ato de pertença fundamental para a cidadania, objetivo primeiro deste projeto.
Se quiserem visitar estes monumentos tentem que os vossos guias sejam estes alunos de palmo e meio. Para além da informação que vos podem dar, ouçam as suas interpretações e a sua visão de um legado que já não está morto, mas encontrou novos horizontes.
Até setembro podem ver os resultados desta experiência em exposição na Fortaleza de Sagres.
Esta parceria institucional com a experiência do Projeto “Da Janela da Minha Escola... vejo um Monumento” veio demonstrar as potencialidades da ligação entre Educação e Cultura, ligação fundamental para aquilo que se pretende em educação, possibilitar aprendizagens que contribuam para um crescimento plural em todas as vertentes.
Esse foi o sentimento de todos os envolvidos.
Artigo publicado no Cultura.Sul n.º 35 de Julho de 2011
http://issuu.com/postaldoalgarve/docs/cultura.sul35


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